Comportamentos aditivos e de risco
Consumo de álcool, cannabis ou outras substâncias, utilização excessiva de videojogos ou de ecrãs e outras escolhas que colocam em risco o bem-estar do adolescente.

Atendimento psicológico a adolescentes
Compreender as mudanças. Desenvolver recursos. Acompanhar o crescimento.
14 anos de experiência em comunidade terapêuticaComportamentos aditivos e problemas de comportamento
Adolescentes · onlineNelson Coelho · PsicólogoCompreender primeiro
A adolescência é uma etapa marcada por mudanças profundas na forma como cada pessoa se vê, compreende os outros e se relaciona com o mundo. É um período de construção da identidade, de procura de autonomia e de transformação das relações com a família, os amigos e a escola.
Este processo nem sempre é simples. Podem surgir dúvidas, inseguranças, conflitos, dificuldades em gerir emoções ou uma sensação de não conseguir corresponder às expectativas dos outros ou às próprias expectativas.
Por vezes, estas dificuldades manifestam-se através de ansiedade, tristeza, irritabilidade, isolamento, alterações de comportamento ou problemas nas relações familiares e escolares. Noutras situações, o adolescente pode sentir-se confuso, desmotivado ou ter dificuldade em explicar aquilo que está a viver.
Compreender estas experiências exige tempo, escuta e disponibilidade para olhar para além dos comportamentos mais visíveis. Mais do que procurar respostas imediatas, importa perceber o significado das dificuldades, as circunstâncias em que surgem e os recursos que podem ajudar o adolescente a lidar com elas.
Nem sempre é fácil encontrar palavras para aquilo que se sente, sobretudo quando ainda se está a tentar perceber quem se é e o lugar que se ocupa no mundo.
A adolescência é uma fase de descoberta, afirmação da identidade e procura de autonomia. Em alguns casos, este processo pode ser acompanhado por dificuldades na regulação emocional, conflitos familiares, comportamentos de oposição ou escolhas que colocam em risco o bem-estar do adolescente.
A minha experiência profissional na intervenção com adolescentes em contexto terapêutico, incluindo situações de comportamentos aditivos e dificuldades comportamentais, constitui uma base importante para compreender estas realidades sem reduzir o adolescente ao seu comportamento ou definir a sua identidade pelas dificuldades que atravessa.
O acompanhamento psicológico procura compreender os fatores individuais, familiares e sociais envolvidos, identificar recursos e necessidades e desenvolver estratégias que favoreçam a autorregulação, a responsabilização, a tomada de decisões e a construção de alternativas mais saudáveis.
Sempre que adequado, o trabalho pode incluir a colaboração com os pais ou outros cuidadores, ajudando-os a compreender o comportamento do adolescente, a estabelecer limites consistentes e a encontrar formas de comunicação que promovam uma relação de maior confiança.
Sinais de que algo precisa de ser compreendido
O consumo de álcool, cannabis ou outras substâncias, a utilização excessiva de videojogos ou de ecrãs, o afastamento da família, a quebra do rendimento escolar e a dificuldade em respeitar limites podem constituir sinais de que algo precisa de ser compreendido e acompanhado.
O objetivo não é apenas mudar um comportamento, mas compreender o que o mantém e criar condições para uma mudança sustentada.
O acompanhamento
O acompanhamento psicológico procura ajudar o adolescente a compreender melhor o que sente, a reconhecer os fatores que influenciam as suas dificuldades e a desenvolver formas mais ajustadas de lidar com os desafios do quotidiano.
O trabalho é individualizado, respeitando a personalidade, a história, o ritmo de desenvolvimento e as necessidades de cada adolescente. Procura-se criar um espaço de confiança onde seja possível falar abertamente, refletir sobre experiências e explorar diferentes formas de compreender e enfrentar as situações.
A intervenção pode integrar estratégias da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), uma abordagem baseada na evidência científica que permite trabalhar a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, de acordo com as necessidades identificadas.
O acompanhamento pode ajudar a:
O objetivo não é mudar quem o adolescente é, nem impor-lhe uma forma de pensar ou de agir. É ajudá-lo a compreender-se melhor, a reconhecer as suas capacidades e a desenvolver recursos que lhe permitam lidar com as dificuldades de forma mais consciente e autónoma.
Situações
Cada adolescente vive esta etapa de forma diferente. Algumas dificuldades tornam-se evidentes através de alterações de comportamento; outras são vividas em silêncio e nem sempre são reconhecidas por quem está à sua volta.
Consumo de álcool, cannabis ou outras substâncias, utilização excessiva de videojogos ou de ecrãs e outras escolhas que colocam em risco o bem-estar do adolescente.
Preocupações persistentes, medo de falhar, ansiedade perante avaliações ou situações sociais, tensão constante ou dificuldade em lidar com as expectativas.
Desânimo, irritabilidade, perda de interesse, sentimentos de solidão ou dificuldade em compreender e expressar emoções.
Insegurança, comparação constante com os outros, dúvidas sobre si próprio ou dificuldade em reconhecer o seu valor e as suas capacidades.
Dificuldade em controlar reações, conflitos frequentes, comportamentos de oposição ou problemas na gestão da frustração.
Discussões recorrentes, dificuldades de comunicação, conflitos relacionados com regras e limites ou tensão na procura de maior autonomia.
Dificuldades nas amizades, conflitos com colegas, sentimentos de rejeição, isolamento ou problemas de integração.
Desmotivação, dificuldades de adaptação, pressão relacionada com o desempenho escolar ou perda de interesse pelas atividades habituais.
Separações, perdas, alterações familiares ou outras experiências que possam afetar o equilíbrio emocional e a forma como o adolescente se relaciona consigo próprio e com os outros.
Estas dificuldades não devem ser automaticamente interpretadas como sinais de um problema psicológico. Importa compreender a sua intensidade, duração, contexto e impacto na vida do adolescente.
Quando provocam sofrimento, persistem ou interferem significativamente no seu bem-estar, nas relações ou no funcionamento quotidiano, procurar acompanhamento pode ajudar a compreender o que está a acontecer e a identificar formas de lidar com a situação.
Passo a passo
O processo começa pela compreensão das dificuldades que motivam a procura de ajuda e da forma como estas são vividas pelo adolescente. Procura-se conhecer a sua perspetiva, as suas preocupações, as relações significativas e os contextos em que as dificuldades surgem.
Explorar as preocupações, a história e o contexto do adolescente, procurando perceber como interpreta e vive as dificuldades que apresenta.
Identificar, em conjunto, as áreas prioritárias de trabalho e estabelecer objetivos realistas e adequados às suas necessidades.
Trabalhar competências emocionais, cognitivas e comportamentais que ajudem o adolescente a enfrentar os desafios e a encontrar novas formas de responder às situações.
Avaliar os progressos, compreender as dificuldades que persistem e ajustar o trabalho sempre que necessário.
Sempre que pertinente, integrar os pais ou cuidadores no processo, ajudando a melhorar a compreensão das dificuldades e a comunicação familiar, respeitando a privacidade do adolescente e os princípios éticos e deontológicos da Psicologia.
O acompanhamento desenvolve-se de forma gradual e ajustada às necessidades identificadas.
Consultas à distância
O acompanhamento psicológico online permite realizar as sessões à distância, num ambiente que favoreça a privacidade, a concentração e a comunicação.
Esta modalidade pode facilitar o acesso ao acompanhamento, conciliando as sessões com as exigências escolares e familiares. A sua adequação é avaliada de acordo com a idade, as necessidades do adolescente, as condições de privacidade e a natureza das dificuldades apresentadas.
Em sessãoA adolescência é uma fase de descoberta, mas também pode ser um período de dúvidas, contradições e dificuldades que nem sempre são fáceis de partilhar.
Na minha prática profissional, valorizo a importância de escutar o adolescente sem o reduzir às suas dificuldades ou aos comportamentos que manifesta. Procuro compreender a sua perspetiva, as experiências que influenciam o seu modo de agir e as condições que podem favorecer o seu desenvolvimento.
A experiência profissional ensinou-me que a compreensão é fundamental para que se possam construir respostas ajustadas a cada situação. Este trabalho exige proximidade, rigor e respeito pelo percurso individual de cada adolescente.
Pedir ajuda não significa ter todas as respostas. Pode ser uma oportunidade para começar a compreender melhor o que se passa e descobrir outras formas de lidar com o que se sente.
Nelson Coelho
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